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O Pantanal Mato-grossense é a maior planície alagada do continente
americano, com 133.465 Km2. Localizado no Centro-Oeste brasileiro, engloba parte
dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de avançar
para Bolívia e Paraguai.
A localização estratégica, sob influência de diversos
ecossistemas - Cerrado, Chaco, Amazônia e Mata Atlântica -, associada
a ciclos anuais e plurianuais de cheia e seca e temperaturas elevadas, faz do
Pantanal o local com a maior concentração de fauna das Américas,
sendo comparável às áreas de maior densidade da África.
Jacarés, araraúnas, papagaios, tucanos, além do emblemático
tuiuiú são parte da paisagem pantaneira.
Sua biodiversidade inclui mais de 650 espécies diferentes de aves, 262
espécies de peixe, 1.100 espécies de borboletas, 80 espécies
de mamíferos e 50 de répteis. Além disso, o Pantanal conta
com 1.700 espécies de plantas.
A principal característica dessa região é a interdependência
de quase todas as espécies de plantas e animais do fluxo das águas.
Durante os meses de outubro a abril, as chuvas aumentam o volume dos rios que,
devido à pouca declividade do terreno, extravasam seus leitos e inundam
a planície. Nessa época, muitos animais buscam refúgio
nas terras 'firmes', espalhando-se pelas áreas não inundadas.
Peixes se reproduzem e plantas aquáticas entram em floração.
Ao final do período das chuvas, entre junho e setembro, as águas
baixam lentamente e voltam ao seu curso natural, deixando os nutrientes que
fertilizam o solo. As aves se aglomeram em imensos ninhais, iniciando a reprodução
antes da maioria das espécies dos outros ecossistemas brasileiros. Mamíferos
e répteis migram internamente, acompanhando as águas. No auge
da seca, a fauna se concentra em torno das lagoas e pequenos cursos d'água
- os corixos - facilitando sua observação, tanto por turistas,
como por coletores e caçadores.
Principais ameaças
Introduzida no final do século XIX, a criação de gado bovino
é a principal atividade econômica do Pantanal e conta com um rebanho
de 3 milhões de cabeças. Tradicionalmente, a pecuária extensiva
também obedecia ao ritmo das águas, tendo se desenvolvido, inclusive,
raças pantaneiras de bovinos e eqüinos, adaptados ao pastejo em
águas rasas. A modernização dessa pecuária, entretanto,
trouxe a divisão de terras, variedades exóticas de capim e a necessidade
de interferir no fluxo das águas com pequenas represas, estradas, dragagens
e drenagens, além de difundir o uso de pesticidas.
A pesca é outra atividade bastante desenvolvida. Em que pese a enorme
produtividade pesqueira do ecossistema e a riqueza de espécies comerciais,
tanto a pesca industrial - para exportação a outras regiões
do país ou para abastecimento dos restaurantes e hotéis - como
o turismo de pesca ameaçam a sustentabilidade. Os peixes estão
diminuindo de tamanho e tornando-se mais raros, nítidos sinais de superexploração,
aos quais se somam problemas de contaminação por pesticidas e
poluição industrial, sobretudo nos rios que vem do planalto.
Essa falta de controle sobre as atividades desenvolvidas na região e
seu entorno motivaram o Banco Mundial a considerar o Pantanal como área
vulnerável e prioridade máxima para conservação.
Somam-se, ainda, problemas com a mineração, o aumento do lixo
urbano e projetos de navegação. Algumas atividades, como a caça
ilegal e o crescimento desordenado do turismo, representam ameaça direta
à vida selvagem, além da pesca predatória.
Existem apenas duas áreas protegidas pelo governo nessa região
- o Parque Nacional do Pantanal, com 135.000 hectares, e a Estação
Ecológica de Taiamã, com 11.200 hectares. Além disso, existem
três Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), administradas
pela Fundação Ecotrópica - Acurizal, Penha e Dorochê
-, que somam 55.000 hectares contíguos ao Parque Nacional e aumentam
em 44% a área protegida.
A recomendação do workshop de Áreas Prioritárias
para Conservação do Cerrado e do Pantanal, realizado em 1998,
com a participação de 200 especialistas, é de formação
de corredores ao longo dos rios, interligando 20 áreas consideradas importantes
para preservação da biodiversidade
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